Neste 7 de julho de 2025, completam-se 35 anos da morte de Cazuza, um dos maiores ícones do rock brasileiro. Poeta visceral, intérprete intenso e letrista afiado, Cazuza faleceu em 1990, aos 32 anos, vítima de complicações relacionadas à AIDS. Três décadas e meia depois, sua obra permanece viva, atual e reverberando nas vozes de novas gerações.
Filho do produtor musical João Araújo, Cazuza começou sua trajetória como vocalista do Barão Vermelho, banda que ajudou a moldar o rock nacional dos anos 1980. Foi lá que emplacou sucessos como “Pro Dia Nascer Feliz”, “Bete Balanço” e “Maior Abandonado”, músicas que retratavam com crueza e poesia os sentimentos urbanos, os amores desfeitos e a inquietação de uma juventude em busca de liberdade.
A inquietação o levou a sair do Barão e seguir carreira solo em 1985, onde pôde explorar com mais liberdade sua veia lírica, política e existencial. Em sua nova fase, nasceram canções antológicas como:
Sucessos que eternizaram Cazuza:
- “Exagerado” – Seu primeiro grande hit solo, virou hino de uma personalidade intensa, marcada por paixões e excessos.
- “O Tempo Não Para” – Um grito contra o preconceito, a hipocrisia e a morte, lançado já sob os efeitos visíveis da doença.
- “Ideologia” – Letra ácida que questiona valores da sociedade e expõe o desencanto com a política e o mundo adulto.
Além da crítica social, Cazuza cantou o amor em suas muitas formas, como em “Codinome Beija-Flor”, “Faz Parte do Meu Show” e “Preciso Dizer que Te Amo”, esta última escrita em parceria com Bebel Gilberto e Dé.
A vida de Cazuza foi marcada pela coragem de se expor: assumiu publicamente sua bissexualidade e o diagnóstico de HIV em uma época de preconceito intenso. Deixou como legado não só uma discografia marcante, mas também o exemplo de alguém que viveu com autenticidade até o fim.
Hoje, aos 35 anos de sua partida, sua voz ainda ecoa nos palcos, nas playlists e nas lutas por liberdade de expressão, diversidade e respeito. Cazuza não foi só um artista: foi um símbolo de resistência, poesia e verdade.
“As ideias são à prova de bala”, escreveu ele certa vez. E as suas seguem intactas — vivas como nunca.