Antecipando o projeto “O que Será do Cerrado”, em defesa do bioma brasileiro, chega às plataformas de streaming nesta sexta-feira (1) o single “O Cerrado Ameaçado”, nas vozes de Marina Sena e Alexandre Carlo, ambos nascidos no Cerrado. A cantora, de Taiobeiras (MG), falou sobre a importância de usar a própria voz para trazer à tona temas relevantes. “Eu entendo a importância de lutar por esse bioma, por esse lugar, pelas nossas frutas, pelos nossos rios, cachoeiras, que são oásis pra gente.”
“O Cerrado Ameaçado” é parte do EP “O que Será do Cerrado”, de Carlos Rennó e César Lacerda. O projeto será lançado no dia 11 de agosto. A concepção e as letras são de Rennó, com direção artística da dupla. O EP conta com três vinhetas e três canções.
Além de Marina Sena e Alexandre Carlo, participam Saulo Fernandes, Ellen Oléria, Célia Xakriabá (recitando), Chico Chico e Assucena. As vinhetas são apresentadas por Letícia Sabatella. Rennó, que já havia se dedicado a canções em defesa do Pantanal e da Amazônia, reitera a importância de chamar a atenção também para a floresta subterrânea do Cerrado. “Estamos apenas começando a assistir eventos catastróficos. A preservação da Amazônia é importante não só para o Brasil mas para todo o mundo, e o Cerrado tem uma importância igual. No entanto, a Amazônia é mais exuberante, uma floresta para cima. Ao contrário da floresta do Cerrado, que é, como diz uma das letras, uma floresta invertida. Mas a gente sabe que para existir a própria Amazônia, o Cerrado se faz necessário”, diz.
Todas as canções têm produção musical de Lacerda, nascido no Cerrado, em Diamantina (MG). “Falar do Cerrado, da desfiguração das suas imensas belezas com o único intuito de enriquecer o bolso de pouquíssimos, enfim, dar às mãos a esse bioma e pedir socorro é algo que está no meu coração há muito tempo.”
Os clipes das canções serão dirigidos pelo Coletivo Bijari e pelos cineastas Tainá de Luccas e Ivan Canabrava. As vinhetas têm direção de César Lacerda e Tocavídeos. A produção executiva está a cargo da Circus Produções Culturais, de Guto Ruocco. “O Que Será do Cerrado” tem como parceiros o WWF, o Instituto Humanize e a Bem-te-vi Diversidade.
Letra de O Cerrado Ameaçado – Marina Sena e Alexandre Carlos
O que será do cerrado?
O coração, a caixa d’água do Brasil
Tá cada vez mais seca do que já se viu
A mais diversa das savanas do planeta
De tantas plantas e animais, mais incompleta
Nossa floresta mais antiga e anciã
Ameaçada de não ter mais amanhã
Façamos algo, rápido, façamos já!
Pelo bioma que aos demais tanto se dá
Por todo filho, todo neto, por amor!
Por todo santo inseto polinizador!
Por tudo quanto é sagrado!
O que será do cerrado
Na mão de homens tão ingratos quanto insanos?
Gerado há mais de sessenta milhões de anos
Não há de ser em poucas décadas encerrado
Nem tratorado nem queimado nem serrado
Pela riqueza que o cerrado em si encerra
Pelo pequi, a flor, o ipê, o céu, a serra
Pela caverna, a cachoeira e o mirante!
Pelo capim-dourado lindo, radiante
Que nos alegra a melancólica visão
De um mau futuro envolto agora em cerração
Finalmente des-cerrado…
O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de muda na legislação
Ou na derruba não vai ter alteração
Pois o desmate que é legal, legal não é
Permite que desmatem muito, não dá pé
Oh não deixemos que o “agro-tudo” da boiada
Degrade e mude quase tudo em quase nada!
Pela nascente que ainda não morreu
E o descendente que ainda não nasceu
Por toda ação que regenera e que revive
Por toda a fauna, toda a flora, inclusive
Por todo grão, todo gado!
O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado